Surgida em Brasília há 10 anos, banda teve uma explosão em 2024 e sedimentou seu domínio nas rádios e no streaming em 2025. O que 2026 lhes reservará?
por_Ricardo Silva • de_São Paulo
por_Ricardo Silva • de_São Paulo
Entre hits virais, uma agenda de shows permanentemente repleta e números impressionantes de escuta (segundo lugar no top 10 anual do Spotify, liderança nas rádios nacionais em 2025), o Menos é Mais celebra sua primeira década de carreira. Também nestes últimos 10 anos, poucos nomes da esfera do pagode e do samba chegaram tão alto.

A banda em cena
Desde o impacto forte, em 2024, de “Coração Partido” (adaptação de “Corazón Partío”, hit de Alejandro Sanz), com mais de 400 milhões de audições em vários países, o grupo brasiliense consolidou seu nome entre as forças centrais deste novo momento dos dois gêneros.

Num bate-papo com a Revista UBC, Duzão, Gustavo Goes, Paulinho e Ramon Alvarenga refletem sobre carreira, processo criativo, sonhos e os planos para 2026. E, em meio à chuva de métricas invejáveis, eles são diretos: seus voos são orientados menos por cifras, e mais por repertório, identidade e entrega artística.
Os anos de 2024 (com o hit “Coração Partido”) e 2025 (com as excepcionais posições no top 10 do Spotify e das rádios) consolidaram vocês em outro patamar, sedimentando uma construção de carreira bem sólida. Dá a impressão de que sempre souberam para onde estavam indo. É isso mesmo? Vocês têm uma meta traçada ou vão “deixando a vida levá-los”?
GOES: A gente nunca planejou nada focando nos números, mas deixamos mesmo a música guiar o Menos é Mais. Acho que por isso deu muito certo. Fazemos tudo pensando na melhor entrega, no melhor repertório que podemos construir, no melhor show que podemos criar. É isso que sempre nos guiou. A gente não traça metas numéricas, mas pensa sempre na evolução do grupo e numa qualidade cada vez melhor em performance, em novidade, música etc.

O que 2026 trará aos fãs de vocês? Que lançamentos e novos projetos estão previstos?
DUZÃO: Com certeza teremos músicas e projetos novos. Já estamos trabalhando em algumas novidades para este ano. A gente ainda está estruturando tudo, então sem muito spoiler, mas continuamos dando o nosso melhor pros fãs terem mais conteúdos inéditos do Menos é Mais.

O que falta realizar? Qual é o sonho máximo de vocês como banda?
GOES: É difícil responder isso porque não era nem a possibilidade de um sonho essa projeção que estamos tendo com (o single) “P do Pecado” (feat com Simone Mendes, com 380 milhões de audições no Spotify e quase 350 milhões de reproduções no YouTube) e com o projeto MOLHO. E, quando aconteceu, a gente ficou muito feliz por saber que a música tem chegado em tantas pessoas. A gente tenta sempre manter o pé no chão e focar no trabalho, então acho que o objetivo é continuar dando o nosso melhor e cantando a nossa verdade no Brasil e no mundo. O nosso primeiro sonho com o Menos é Mais era viver da música e, graças a Deus, a gente conseguiu isso há um tempo.

Como é o processo criativo de vocês? São tantas as viagens, apresentações, tours (por exemplo, têm frequentado bastante Portugal) que sobra tempo para compor/pensar novas canções?
GOES: O tempo é algo complicado, porque nós temos família e amigos também, uma vida pessoal, mas essa questão de sentar e estruturar show, pensar no repertório, nas novidades, faz parte do nosso trabalho. Então, a gente tem que encaixar isso na rotina. É uma parte importante. Se não tem planejamento, não tem o que sair do papel, então sempre tiramos um tempo pra sentar e conversar sobre tudo.
A UBC deu a capa da edição anterior da Revista para esse novo momento brilhante do pagode e do samba. Mas pode-se mesmo falar em nova onda? Ou o pagode e o samba nunca saíram de moda?
PAULINHO: A gente fica muito feliz com esse reconhecimento, de verdade. Mas não acredito que o samba e o pagode saíram de cena. Na verdade, eles sempre estiveram vivos nas rodas, nos shows e no coração do público. Se existe uma “nova onda”, talvez seja um novo olhar e uma nova vitrine. Nós só temos a honra de fazer parte dessa continuidade.
O que torna esse gênero tão irresistível para o público brasileiro?


RAMON: São muitos aspectos. A música é contagiante, a batucada, o pandeiro… é algo que cativa muito facilmente. E a gente cresce com essa herança cultural. Ouvir samba/pagode é ouvir algo familiar, nostálgico.
O sucesso do “Coração Partido” foi além das nossas fronteiras. Pensam em abraçar públicos estrangeiros? Ou o pagode talvez seja tão coisa nossa que seria difícil para um gringo entender a pegada?
GOES: O público estrangeiro já tem nos abraçado. E, pra gente, é muito gratificante ver que algo tão brasileiro recebe carinho em outros países. O pagode sempre foi algo amplo, para compartilhar com as pessoas naquela vibe intimista, de roda de samba, onde todo mundo é bem-vindo. Então, o gringo também entende e ama, e compartilhar esse carinho e admiração por um estilo musical nos une.
Vocês têm a intenção de ampliar os feats e flertar com ainda mais gêneros? Ou permanecerão fiéis à base do samba e do pagode?
DUZÃO: Isso é algo que a gente já tem feito. “P do Pecado” já é uma mistura de pagode e sertanejo, com a Simone Mendes. Tem também “Pela Última Vez”, que junta o nosso som ao forró do Nattan. É algo que, com certeza, vamos continuar fazendo. A música é algo que está sempre mudando, em constante evolução, assim como a gente. •