
O Spotify começou a disponibilizar dois novos recursos que ampliam a quantidade de informações oferecidas aos ouvintes sobre as músicas presentes em seu catálogo. As novidades envolvem tanto a contextualização editorial das faixas quanto a exibição de créditos técnicos e artísticos mais detalhados, incorporando dados que historicamente ficaram restritos a encartes físicos ou a bases especializadas da indústria.
De um lado, a empresa iniciou os testes do recurso ‘Sobre a música’, que apresenta cartões de histórias curtos e navegáveis na tela “Tocando agora” do aplicativo móvel. A funcionalidade aparece quando o usuário rola a tela para baixo e, por enquanto, está em beta para assinantes Premium nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Irlanda, Nova Zelândia e Austrália. Ainda não há previsão de estreia no Brasil.
O recurso reúne informações sobre inspiração, contexto cultural e bastidores das faixas. Esses conteúdos não são fornecidos diretamente pelos artistas, mas resumidos a partir de fontes de terceiros, como Wikipedia, sites de entretenimento e veículos jornalísticos, sempre com a indicação clara das origens, por meio de links clicáveis.
Paralelamente, o Spotify passou estes dias a exibir no desktop uma funcionalidade que já estava disponível no aplicativo móvel desde 19 de novembro de 2025: os Créditos de Música Expandidos. Se, antes, apenas intérpretes principais e compositores apareciam listados, agora a plataforma passa a nomear músicos acompanhantes, responsáveis por arranjos, produtor fonográfico, engenheiros de som e mixagem, artistas participantes e outros profissionais envolvidos no processo de gravação.
A Apple Music dobrou a aposta contra a manipulação de streams, num movimento com implicações diretas para distribuidoras, artistas independentes, ecossistemas de playlists e o debate crescente sobre música gerada por IA. O vice-presidente da Apple Music e de conteúdo internacional, Oliver Schusser, afirmou que a plataforma identificou e desmonetizou 2 bilhões de streams fraudulentos em 2025, ao mesmo tempo em que dobrou as multas aplicadas a quem estiver envolvido nesses esquemas.
“A manipulação de streaming na nossa plataforma já é incrivelmente baixa. Literalmente temos sistemas que verificam e validam cada execução no Apple Music”, descreveu Schusser, numa longa entrevista ao Hollywood Reporter. “Quando encontramos fraude, removemos as contagens de streams, tiramos das paradas e pegamos o dinheiro para colocá-lo de volta no sistema, para que vá para artistas honestos.”
Segundo ele, a Apple já vinha aplicando sanções desde 2022, mas agora endurece a abordagem. As multas, que antes variavam de 5% a 25% do valor equivalente em royalties envolvidos na fraude, passam para uma faixa de 10% a 50%. Em termos práticos, como o próprio executivo exemplifica, um esquema que envolvesse US$ 1 milhão em streams manipulados poderia gerar até US$ 500 mil em multa.
“Eu gostaria de viver em um mundo em que tenhamos zero fraude na plataforma… Aumentar as penalidades tira o dinheiro de quem está trapaceando e coloca de volta no sistema para quem não está”, sintetizou Schusser.

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A reportagem no site da UBC


O Spotify anunciou no final de janeiro ter alcançado a cifra recorde de US$ 11 bilhões distribuídos à indústria musical em 2025, o que descreve como “o maior pagamento anual à música já feito por qualquer varejista na história”. O valor supera os US$ 10 bilhões de 2024 e os US$ 9 bilhões do ano anterior, elevando o total geral distribuído pela plataforma para quase US$ 70 bilhões.
Esses números impressionantes colocam a plataforma sueca, nas palavras do seu diretor global de música, Charlie Hellman, como “o principal motor do crescimento de receita da indústria em 2025”, respondendo por “cerca de 30% da receita de música gravada”.
“Hoje há mais artistas gerando mais de US$ 100 mil por ano apenas com o Spotify do que artistas que tinham discos nas prateleiras das lojas no auge da era do CD”, ele resumiu. “Apesar da desinformação desenfreada sobre como o streaming funciona hoje, a realidade é que esta é uma era com mais casos de sucesso e mais promessas do que em qualquer outro momento da história.”
Os números agregados sustentam parte do argumento. O problema é o denominador dessa conta.
No fim de 2025, havia 253 milhões de faixas nas plataformas de áudio, segundo um levantamento recém-divulgado pela Luminate — um salto de 37,9 milhões em um ano, ou 106 mil uploads por dia. Mas a imensa maioria dessa música praticamente não existe do ponto de vista de consumo: 120,5 milhões de faixas tiveram menos de 10 streams no ano; 73% tiveram menos de 100 streams; 88% tiveram menos de 1.000 streams. Ou seja, apenas 12% do total do catálogo superou o limiar mínimo, mil streams, a partir do qual o Spotify passa a incluir os titulares nas distribuições de direitos autorais e outros royalties. E só 0,2% das faixas (cerca de 541 mil músicas) foram responsáveis por quase metade (49,4%) de todo o consumo global.
“A manipulação de streaming na nossa plataforma já é incrivelmente baixa. Literalmente temos sistemas que verificam e validam cada execução no Apple Music”, descreveu Schusser, numa longa entrevista ao Hollywood Reporter. “Quando encontramos fraude, removemos as contagens de streams, tiramos das paradas e pegamos o dinheiro para colocá-lo de volta no sistema, para que vá para artistas honestos.”

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Outras informações no site da UBC
Nenhuma das dez músicas mais ouvidas de 2024 nos Estados Unidos foi composta por apenas uma pessoa. O dado faz parte de um levantamento da Luminate, que analisou as 50 mil faixas mais executadas em streaming sob demanda no país e identificou um padrão: quanto maior a escala comercial de uma música, maior tende a ser o número de compositores envolvidos.
No pop, apenas 13% das canções têm autoria individual. Já no R&B e no hip hop, 29% das faixas contam com mais de seis autores nos créditos.
Embora o Brasil não disponha hoje de um estudo público equivalente, artistas, distribuidoras, advogados e gestores de direitos ouvidos pela UBC apontam que o mercado nacional já opera dentro de uma lógica semelhante, especialmente em gêneros como sertanejo e música urbana.
A multiplicação de nomes nos créditos não é meramente uma curiosidade estatística. Ela reflete mudanças na forma como a música é criada, produzida e distribuída em um ambiente cada vez mais orientado pelo streaming, pela produção em escala e pela colaboração intensiva entre artistas, produtores e compositores.

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O que dizem os especialistas, na reportagem completa no site da UBC
