
Céu celebra os 20 anos de seu álbum de estreia, homônimo, com uma edição inédita em vinil pelo Noize Record Club (NRC). Lançado originalmente em 2005 pelos selos Urban Jungle e Ambulante Discos, trabalho foi um ponto de inflexão para a nova MPB — sobretudo a que vem de São Paulo —, ao combinar samba, hip hop, reggae e trip hop, com influências que vão de Dorival Caymmi a Bob Marley, além de scratches de discotecagem.
A edição em LP será translúcida e incluirá todas as 15 faixas na íntegra, acompanhada da revista Noize #169, com envio previsto para a segunda quinzena de abril. O álbum conquistou projeção internacional, com indicação ao Grammy de Melhor Álbum de World Music Contemporânea e presença na lista Billboard Hot 100, além de músicas inseridas em trilhas sonoras da TV Globo.
“Ao longo desses 20 anos, ele se concretizou musicalmente e continua fazendo sentido, tanto para a nova geração quanto para quem o acompanhou na época. Sinto que tem uma força incrível, que fui entendendo cada vez mais nessa caminhada”, afirma Céu.
Para a artista, o relançamento é também uma oportunidade de revisitar sua própria trajetória como compositora. “Fiz esse disco muito nova. Foi quando comecei a me entender como compositora. Comecei a escrever coisas, a sair um pouco daquele lugar de preciosismo da música brasileira, que também faz parte da minha formação”, lembra.
Além da edição em vinil, ela iniciou uma turnê comemorativa, que estreou no Circo Voador (Rio de Janeiro), passou pela Audio (São Paulo) e seguirá por outras cidades do país.
2026 começou cedo para Murilo Huff, que, logo nos primeiros dias de janeiro, começou a trabalhar ao lado do megaprodutor Dudu Borges para pôr de pé seu próximo álbum de inéditas. Borges, conhecido por trabalhos marcantes ao lado de nomes como Jorge & Mateus, Luan Santana, Michel Teló, Fernando & Sorocaba e Cristiano Araújo, é dono do Studio VIP, em São Paulo, onde Huff já vem gravando.
O primeiro single é “Saudade Estranha”, lançado no final de fevereiro. Os outros lançamentos ocorrerão ao longo dos próximo meses, numa estratégia já várias vezes testada por Huff, e que mantém alto engajamento em redes sociais, além de lhe garantir mais de 12 milhões de ouvintes mensais no Spotify.
Paralelamente, ele continua a trabalhar em parceria com nomes consagrados do sertanejo, como Lauana Prado, com quem lançou o single “Pra Você Lembrar de Mim (Ao Vivo)” em janeiro; mas também com artistas ainda em ascensão, como Yara Tchê & Alessandro, participando da gravação de um DVD deles em São Paulo.
Como ele explicou à UBC: “Eu sempre procuro dar espaço pra galera mais jovem, ou com uma expressão musical menor, porque lá atrás fizeram isso comigo, e só eu sei o quanto me ajudou. Enquanto puder, vou continuar abrindo espaço para novos talentos da música brasileira."


Romulo Fróes escolheu a última quarta-feira de cinzas para lançar seu 18º álbum, “Boneca Russa”, um trabalho que é fim e recomeço, um “disco de cura”, como define. Inspirado em parte por sua separação da produtora cultural e compositora Alice Coutinho — mas não só —, traz 13 faixas, a maior parte criada em 2024 e 2025, com produção minimalista. Desta vez, Romulo não toca violão, sendo acompanhado apenas pelo contrabaixo de Marcelo Cabral, que extrai efeitos variados do instrumento para transmitir dor e emoção.
Sobre a música-título, o cantor e compositor paulistano explicou ao jornal O Globo: “É como alguém que arranca a pele, e, debaixo daquela pele, tem outra pele. E, debaixo daquele silêncio, outro silêncio, e fica ‘doendo, doendo’, como diz a letra. Como se estivesse tirando as cascas e, por mais que eu tirasse, no fundo ainda está lá a dor.”
Três canções deste trabalho produzido e distribuído pela YB Music, incluindo “Um Estandarte Pra Mim” (com Ná Ozetti) e “Olga” (com Alice Coutinho), foram compostas antes, mas se encaixam na narrativa de luto, cura e amor. Entre as colaborações estão ainda Juçara Marçal, Rodrigo Campos e Thiago França, com uma deliberada inspiração em sons de Jards Macalé, mentor e parceiro de longa data.
Romulo descreve o resultado como um registro intenso, mas não óbvio, do sofrimento: “São canções de profunda tristeza, um pouco de raiva. Sou eu tentando contar essa história do meu ponto de vista e tentando entender o ponto de vista da outra pessoa… Prefiro chamar de tributo.”
A cantora Elisa de Sena estreou nas plataformas digitais seu segundo disco solo, “ORGÂNICA”, um trabalho que explora a ancestralidade, a música mineira e ritmos de origem negra e indígena, como forró, samba e maracatu. Com dez canções e uma vinheta, o trabalho valoriza percussões e cordas em arranjos que remetem à sonoridade da terra, incorporando sons naturais como coro, sementes e água.
Sobre a concepção do álbum, Elisa afirmou ao site Tenho Mais Amigos Que Discos: “Este disco propõe um retorno às raízes. Entender que ser parte é ser o todo e que na união das diferenças algo maior pode nascer. Eu coloco dois produtores excelentes e diferentes um do outro (Felipe Pizzutiello e Nath Rodrigues), e que se complementam nesse trabalho. Participações diversas para que a identidade de cada um apareça e some nesse trabalho, que é meu solo, mas é também coletivo.”
O disco ainda conta com participações especiais que ampliam sua proposta de diálogo entre culturas. O carioca Pedro Luís integra “Avenca”: “É o único participante do disco que não é mineiro, ele é carioca e tem todo o suingue do Rio no seu jeito de cantar. Cantar junto com Pedro Luís é sutilmente brincar também com a mistura de rio e mar, de Minas e Rio.”
Já Pedro Morais aparece na reinterpretação de “Cheiro Mineiro de Flor”, clássico de Sá & Guarabyra. Elisa explicou o processo: “Eu ficava cantarolando essa música, pensando na beleza do cenário que ela desenha na sua letra… Na criação do arranjo, enviei várias referências pro Felipe (Pizzutiello), e ele gostou demais dos ‘Tambores de Minas’. Dá para perceber com mais presença no final da música.”


Papatinho mantém seu fluxo criativo com o lançamento do EP “Baile do Papato vol. 2”, um projeto em que o DJ e produtor carioca busca conectar o funk contemporâneo do Rio de Janeiro ao pop de alcance global. Com cinco faixas, o EP traz colaborações de peso, incluindo Anitta, L7nnon, Kevin O Chris, MC Tuto e o artista estadunidense Jason Derulo. Já anunciado no início de fevereiro pelo single “Joga a Tabaca”, que une Papatinho a Anitta e DJ Biel do Furduncinho, o trabalho apresenta Thiago da Cal Alves — nome de batismo do artista — dando continuidade ao seu “Baile”, cujo volume 1 saiu em 2023, com a mesma pegada de junção da música urbana brasileira a sons internacionais. Além de “Joga a Tabaca”, o repertório inclui “Gostosinho Na Onda”, com Rodrigo do CN; “Baile da Faixa”, com Kevin O Chris e MC GW; “Tira”, com Jason Derulo e Kloe; e “Possessiva”, com MC Tuto, MC J9 e Oik.
Um teste do novo EP foi durante o último carnaval carioca, quando o funkeiro, ao lado de L7NNON, Rodrigo do CN e Major RD, estreou seu Bloco do Papatinho, nos jardins ao lado do Museu de Arte Moderna. Tanto ali como no disco, ele mantém a essência do batidão carioca, mas acrescentando camadas de produção e elementos do pop. “O funk pode conversar com o pop de forma natural”, ele afirmou, declarando sua intenção de arriscar-se em colaborações cada vez maiores este ano, a buscar uma projeção internacional que o interesse sempre presente pelo nosso funk antecipa como exitosa.
O cantor e compositor gospel Paulo Cesar Baruk lançou no final de janeiro um disco repartido em dois EPs, com uma semana de intervalo entre eles. “Orquestral (Vol. 1 e 2)” reúne oito canções compostas majoritariamente pelo artista paulista, mas também colaborações com Ana Paula Freitas e Alexandre Malaquias, além de uma criação solo de Daniela Magalhães. Ao apostar por arranjos acústicos e instrumentais que destacam cordas e piano, o trabalho aproxima o repertório de uma linguagem mais sinfônica dentro da música cristã contemporânea — uma abordagem que se alinha a uma proposta de louvor elaborada e solene.
O pianista Samuel Murad, o produtor e arranjador Leandro Rodrigues, além de músicos do projeto Palavra Tocada, participam das interpretações com Baruk, que, também em janeiro, lançou uma colaboração com a cantora Lilian Marinho, na faixa “Pra Onde Eu Vou”.
Com mais de 21 discos lançados desde 1997, Baruk é um dos grandes nomes do gospel nacional e conta com 2,2 milhões de ouvintes mensais apenas no Spotify, além de ter sido indicado três vezes ao Grammy Latino.


O compositor, poeta, escritor, produtor e diretor carioca Hermínio Bello de Carvalho ganhou, no final de fevereiro, um álbum que celebra seus 90 anos de vida. Idealizado pelo próprio artista (que, aliás, se aproxima dos 91, agora no próximo dia 28 de março), “Herminio Bello de Carvalho 90” reúne uma única regravação e uma maioria de músicas inéditas dele, com produção de Vidal Assis. A capa, assinada pelo ilustrador Mello Menezes (na imagem ao lado), retrata Hermínio em sua dimensão multifacetada, reforçando a imagem de um artista que atravessa décadas de carreira sem perder relevância.
Entre as faixas, destaque para a presença de Simone, cujo relacionamento musical com Hermínio remonta ao início de sua carreira, e que interpreta três canções, incluindo “De Nada Valeu”, composição em parceria com o próprio Hermínio, e “Dia Sim, Dia Não”, ao lado de Gabriel Lemuriano.
O álbum também reúne nomes importantes da música brasileira que dialogam com a obra de Hermínio, como Frejat, Áurea Martins, Ayrton Montarroyos, Gabi Buarque e Vidal Assis. Frejat interpreta “Carrapicho”, em sua segunda parceria com o compositor, enquanto Áurea revisita o cancioneiro de Hermínio com a faixa “Catando Estrelas”, unida à regravação de “Igual Ao Que Não Foi” (1978), única música não inédita do disco lançado pela Biscoito Fino.
A produção conta ainda com a participação dos músicos Ivan Machado (contrabaixo elétrico), Kiko Horta (acordeão e piano), Marcus Thadeu (percussões) e Vidal Assis (violão), garantindo arranjos sofisticados que acompanham a recitação poética de Hermínio no poema “Las Hormigas”.
O cantor e compositor Romero Ferro celebra em 2026 uma década do movimento Frevália, iniciativa que começou em 2016 com o objetivo de revitalizar o frevo como gênero musical pop e contemporâneo, mantendo sua força além do carnaval. Nascido em Garanhuns (PE), terra de Dominguinhos, Ferro homenageia a essência elétrica do ritmo pernambucano, especialmente em Olinda e Recife, mas busca atualizá-lo com sonoridades modernas. Para marcar os dez anos de Frevália, ele lançou o single “Pra Gente Ser Um Só” em 9 de fevereiro, Dia do Frevo em Pernambuco. A música inédita, primeira do cantor desde “Carnaval do Desejo” (2025), foi composta por Ferro em parceria com Juliano Holanda, um dos nomes mais prolíficos da nova geração de compositores pernambucanos, e produzida por Luccas Maia.
Um ponto alto do single está na participação de Elba Ramalho, intérprete que domina a levada do gênero e que se une a Romero em um dueto que mantém o frevo pulsando do início ao fim. Com três minutos, a faixa é uma boa amostra do que pode apresentar um criador independente tão inventivo como Ferro, participante do Projeto Impulso, da UBC.
